sábado, 3 de setembro de 2011

Para que serve a escola?

Bom, alguns responderiam essa pergunta com uma resposta do tipo: Para educar, oras! Pois bem, mas o que é educar? 
     Quando escuto a palavra educação, a primeira imagem que me vem à mente é de uma sala de aula, com algumas carteiras enfileiradas, onde crianças estão sentadas observando uma professora escrever no quadro de giz. Bom, me pergunto: Por que é justamente está cena que me vem à cabeça ao escutar o termo educação?
    Essa indagação é válida, no sentido de que a educação, que tem como principal função permitir o processo de socialização dos mais variados grupos humanos, nem sempre ocorreu/ocorre num ambiente (lócus), como o que eu descrevi.  Em sociedades humanas ditas “primitivas”, e com número restrito de membros, era praticada uma socialização direta, onde as gerações mais jovens aprendiam o que fosse necessário através do contato com as atividades cotidianas dos mais velhos. Todavia nos encontramos numa sociedade demograficamente expandida, que sofreu um intenso processo de desenvolvimento dos meios técnicos e tecnológicos, o que resultou em uma gama de conquistas sócio-culturais, que precisam ser transmitidas as novas gerações. Desse modo o método de socialização direta se torna pouco eficaz e até mesmo inviável, é a partir daí que se faz necessário o ambiente escolar.
     Portanto a escola surge como uma reprodutora da sociedade da qual faz parte, e, salvo raríssimas exceções, tende sempre a ser conservadora, no sentido de não contestar a ordem vigente, tanto política quanto econômica.

     A escola possui dois objetivos um tanto quanto contraditórios: incorporação ao mundo do trabalho e intervenção na vida pública (cidadania). Ora, uma escola que visa preparar um aluno para o mundo do trabalho que conhecemos, prega conceitos como: individualismo e competitividade, justamente o oposto dos valores esperados de um cidadão, que deve ser solidário e contestador, além de se preocupar com a coletividade.
     Fica claro então que existe dentro do processo de socialização escolar essa contradição, e eu tive experiências desse tipo em minha vida escolar. Quando estava no terceiro ano do ensino médio, em aulas de sociologia ou filosofia era comum escutar: “Não podemos esquecer que o homem é essencialmente um ser social...”, enquanto em outras disciplinas onde o professor focava o vestibular: “Quando vocês quiserem sair para passear no final de semana, não esqueçam que alguém vai estar em casa estudando e esta pessoa vai acertar a questão que talvez você não saiba e eliminará você, então estudem...” Parece um absurdo, mas eu escutei isso!
É importante ainda ressaltar que a socialização é uma função compartilhada entre a escola, a família e os meios de comunicação (que são hoje, mais do que nunca, amplamente diversos e difundidos).

Esta é só a primeira postagem, de muitas que virão, portanto, nosso assunto só está começando! 


2 comentários:

  1. Muio bem Luis, boas colocações!
    Interessante a questão dos meios de comunicação no processo escolar... Tá aí um grande desafio para os professores da 'era digital'.
    Valeu, abraço!
    #Gil Ferri.

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  2. Valeu Gil!! É verdade esse é o assunto no novo post!

    Abraço

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