quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Escolarização: Influência das teorias de currículo

É sempre agradável relembrar minha trajetória escolar, logo me vem à mente bons momentos de minha vida que geralmente gosto de compartilhar. Pois bem, este não é a hora certa para nostalgia, o objetivo deste post é relacionar as influências, que me foram perceptíveis, do currículo escolar em meu processo de aprendizagem.
Acredito que seja importante dizer que sou de uma família de professores, logo tive e ainda tenho, intenso contato com o ambiente escolar, na minha casa, por exemplo, conversas sobre planos de aula, currículo e projetos são temas muito corriqueiros.
Mas é claro que quando criança eu não compreendia toda a dimensão do currículo escolar e muito menos que ele é resultado de uma construção sócio-cultural e histórica, influenciado por teorias especificamente destinadas a ele.

Durante minha escolarização estudei em três escolas diferentes, todas da rede privada, mas uma delas me marcou mais e por isso prefiro dar destaque aos anos em que estudei nela que foram de 2003 a 2006, do sexto ao nono ano do ensino fundamental.
Hoje analisando alguns aspectos que ainda recordo do meu ensino, vejo que as teorias tradicionais não estavam presentes no currículo e muito menos na organização da escola. Acredito que as influências eram todas das teorias crítica e pós-criticas.



O nosso uniforme é um exemplo disso. A única peça obrigatória era a camiseta, que ao contrario da maioria das escolas que utilizam um padrão de cor, a nossa mantinha o nome da instituição, mas havia cores diferentes, ou seja, havia camisas, azuis, brancas, verdes, amarelas e outras que não me lembro agora! Além disso, as camisetas podiam ser customizadas e nas sextas-feiras éramos dispensados do uniforme. Na época não me dava conta mais hoje percebo que dessa forma cada um tinha mais liberdade de expressar seu próprio estilo, sem ter que seguir um modelo padrão.
Recordo-me também de inúmeros eventos sócio-culturais desenvolvidos pela escola, que estimulavam os alunos a combaterem a discriminação racial, social e sexual, assim como campanhas de conscientização onde se pregava a preservação ambiental e o cuidado com a saúde. E todos esses momentos eram compartilhados com a comunidade, através de passeatas nas ruas próximas a escola e feiras culturais na praça municipal.
Nas aulas os professores estimulavam os alunos a transmitirem suas vivencias sempre considerando os saberes que já tínhamos antes de nos trazer novos conhecimentos, considerando, dessa forma, a realidade e o contexto social de todos os alunos.

Esta escola não me preparou para o mercado de trabalho capitalista, não me estimulou a competitividade ferrenha e não me fez ser individualista! Nossa! Quantos “nãos” importantes e que me influenciam até hoje. Além desses “nãos” tiveram alguns “sins”, para o respeito ao outro e as diferenças, para o pensamento crítico e ao ensino como troca entre professores e alunos.  

Minha memória não é das melhores, mas acredito que esses exemplos serviram para mostras as influências das teorias curriculares, em pelo menos, parte de minha trajetória curricular.

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